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10月23日 YouthOntem trabalhei num evento no Sesc Vl Mariana. Era um bate-papo sobre o livro da Fernanda Takai, Nunca Subestime uma mulherzinha. Cheguei um pouco atrasada, mas peguei as últimas perguntas. Teve uma interessante sobre a influência da maternidade nas criações da Fernanda e outra, melhor ainda, sobre ela ter escolhido continuar em BH, mesmo com toda essa onda de que pra fazer sucesso um cara tenha que estar em Sampa ou no Rio. A Fernanda é uma puta mina. Ela responde de verdade, e não só para matar o tempo. Ela escuta o que você diz e responde o que é preciso. Mas aí teve a última pergunta. Foi horrível, sofrível, eu me contorcia na cadeira enquanto a garota fazia aquela pergunta terrivelmente confusa, atrapalhada e sem nenhuma necessidade. Odeio quando pessoas fazem coisas constrangedoras assim em simpósios e afins... Bem, a tal pergunta era, basicamente, como a Fernanda lidava “com este público jovem e sem cultura de hoje em dia”. Porque quem a ouvia tinha em geral mais de 25 anos, e bla bla bla. Depois de tentar explicar a coisa mais estúpida, sem conseguir, a tal guria disse “não sei se você entendeu, sabe?”. Daí a Fernanda começou a resposta com “é, não entendi muito bem, mas vamos lá...”. A Fernanda respondeu que alguns jovens não conhecem suas músicas, mas muitos lêem seus textos e que uma coisa leva a outra, assim como o publico adulto dela passa a conhecer sua literatura à partir da música (claro que ela disse isso tudo de um jeito muito mais bonitinho e cheio de detalhes). Fiquei pensando nessa coisa. Daí que cheguei a conclusão de que, afinal, o ponto principal acerca disso é que esta é uma nova geração. E fim! As gerações são “contadas” de 25 em 25 anos e tenho plena certeza de que a minha geração vislumbrou o fim de uma época. Fechou um destes ciclos de 25 anos. Era tudo diferente. Hoje minha memória me engana, está desatualizada. Sério, muitas vezes não reconheço o lugar onde vivo, as pessoas, os costumes. Mas vou fazer o que? O mundo gira, as coisas mudam. As pessoas mudam, os costumes também. Não acho que estejamos num dos momentos mais brilhantes de nossa existência como seres humanos. Mas é isso aí. Eu não sou mais o futuro. E ninguém que tenha nascido antes de 1986 o é. Somos a massa morta da última colheita de humanos. A nova juventude é o fruto do Muro de Berlin – quando o velho e novo se encontraram e ficou tudo mais ou menos igual.
6月10日 "Precisa-se de homem solteiro, rico e sonso"No elevador. Uma senhora, um senhor e eu. Na pequena tele da Elemidia instalada no canto superior vemos a notícia: “Coalizão de Marta tentará cassação de Kassab”. - Nossa, você viu isso! - O que será isso agora? - Problema sexual... Risos, muitos risos. 5月19日 Fale, é de graça.A velha veio na parada do semáforo. Cabelos brancos pelos ombros, aparência rota. Os braços apertados um ao outro, postados em cima do abdômen, conotavam um profundo desalento. Embora, para mim, não passasse de puro engodo. Mas não foi a cara empilhada de rugas ou os olhos pequeninos e devidamente umedecidos que me atacaram a emoção, e sim, a camiseta maltrapilha e mal interpretada. Deve ter sido brinde de certa empresa de telefonia celular, a que tem um bonequinho. Quando a velha veio em minha direção, com cara de quem ia pedir algo que eu não ia dar, sobre os braços apertados lí a frase: “fale, é de graça”. Pensei que, afinal, que mal havia se eu abrisse o visor do capacete e a recebesse com palavras cordiais. Só pra variar, dizer um “passe bem”, um “boa tarde”, “como foi seu dia?”. Contar uma piada no meio do dia, um palavrão no silêncio, um galanteio no barulho. É de graça, ora essa! Quantas coisas de graça temos na vida? O ar? Bem, ele tem andado bem caro ultimamente. Falar é de graça, não custa nada em todos os sentidos. É um dos trunfos da humanidade, hábito natural, que existe antes mesmo de nos darmos conta disso. E se tu não fala, Libra! E se tu não entende, desenha! É de graça. Mas a velha veio, e não me deu bom dia. Balbuciou algo que não pretendia ser entendido. Me olhou com aquele olhar de piedade e foi de encontro a outro carro. Sempre outro carro. Quando vistas de perto, as coisas são sempre muito diferentes. Na camisa estava escrito: “Fale de graça com quem você ama neste natal”. 3月31日 Maranhão, engenhosa mentiraTexto do Zeca Baleiro, na Isto É. (fantástico)
Maranhão, engenhosa mentira
Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira" O Maranhão é um Estado do Meio Norte brasileiro, um preciosismo para nomear a região geograficamente multifacetada que é ponto de interseção entre o Nordeste e a Amazônia. Com área de 330 mil km2, pleno de riquezas naturais, tem fartas agricultura e pecuária, uma culinária rica e diversa e uma cultura popular exuberante. Não obstante tudo isso, pesquisa recente coloca o Estado como o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, atrás apenas de Alagoas. Sou maranhense. Nasci em São Luís, capital do Estado, no ano de 1966, mesmo ano em que o emergente político José Sarney assumiu o governo estadual, sucedendo o reinado soberano do senador Vitorino Freire, tenente pernambucano que se tornou cacique político do Maranhão, a dominar a cena estadual por quase 40 anos. De 1966 até os dias de hoje, são outros 40 anos de domínio político no feudo do Maranhão, este urdido pelo senador eleito pelo Amapá José Sarney e seus correligionários, sucedâneos e súditos, que gerou um império cujo sólido (e sórdido) alicerce é o clientelismo político, sustentado pela cultura de funcionalismo público e currais eleitorais do interior, onde o analfabetismo é alarmante. O senador José Sarney, recém-empossado presidente do Senado em um jogo de caras barganhas políticas, parecia ter saído da cena política regional para dar lugar a ares mais democráticos, depois de amargar a derrota da filha Roseana na última eleição ao governo do Estado para o pedetista Jackson Lago. Mas eis que volta, por meio de manobras politicamente engenhosas e juridicamente questionáveis, para não dizer suspeitas, orquestrando a cassação do governador eleito, sob a acusação de crime eleitoral, conduzindo a filha outra vez ao trono de seu império. Suprema ironia, uma vez que paira sobre seus triunfos políticos a eterna desconfiança de manipulações eleitoreiras (a propósito, entre os muitos significados da palavra maranhão no dicionário há este: "mentira engenhosa"). Em recente entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou frase cruel: "Não vamos transformar o Brasil num grande Maranhão." A frase, de efeito, aludia a uma provável política de troca de favores praticada pelo Planalto atualmente - segundo acusação do ex-presidente -, baseada em jogo de interesses regionais tacanhos e tráfico de influências. Como alguém nascido no Maranhão, e que torce para que o Estado alcance um lugar digno na história do País (potencial para isso não lhe falta, afinal!), lamento o comentário de FHC, mas entendo a sua ironia, pois o Maranhão tornou-se, infelizmente, ao longo dos tempos, um emblema do que de pior existe na política brasileira. Não é de admirar que divida o ranking dos "piores" com Alagoas, outro Estado dominado por conhecidas dinastias familiares. Em seus tempos de apogeu literário, São Luís, a capital do Maranhão, tornou-se conhecida como a "Atenas brasileira". Mais recentemente, pela reputação de cidade amante do reggae, ganhou a alcunha de "Jamaica brasileira". Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira" ou "Haiti brasileiro". A semelhança com o quadro de absoluta miséria social a que dois célebres ditadores levaram estes países - além do apaixonado apego ao poder, claro - talvez justificasse os epítetos. 3月27日 Idade da cadelaUm dia você acorda e percebe que, apesar da juventude latente e ainda em curso, as coisas não são mais o que eram antigamente. Isso pode acontecer de várias maneiras, mas em geral, é quando percebemos que apesar de jovens, existem sempre pessoas mais jovens que você. Comigo aconteceu quando coloquei os olhos sobre a pele branca e rija de um jovem rapaz. Apesar da barba por fazer, que lhe dava um ar rude e másculo, percebia-se que a puberdade não estava tão no passado como deveria. Quando o assunto se restringiu à cama, lutamos de igual para igual. Havia apenas algumas lacunas na coreografia ensaiada por gerações e gerações, mas nada que comprometesse o enorme potencial. Mas quando fomos para a área das trocas de experiência pessoal, caí no poço da verdade. A luz foi lançada sobre os pensamentos eróticos, e compreendi que teria de oferecer mais do que provavelmente receberia. Não que isso seja um problema. Pelo contrário, me senti honrada, preenchida por um prazer quase sacana. Mas que a idade doeu nos ossos, isso doeu. De leve, mas doeu. 2月27日 Cheiro de diversãoA memória olfativa é das mais fortes que existem. Pois hoje, eu estava no trabalho, quando chegou um rapaz para uma reunião. Ele tinha um cheiro muito familiar.
Num piscar de olhos eu estava de volta na sala de aula da primeira série. Tinha uma tesoura na mão e muitos papéis coloridos recortados sobre a mesa. A sala estava uma bagunça, como de costume. Éramos crianças muito bagunceiras. E então ela veio à minha mesa e elogiou meu trabalho de artes. O nome dela era Luciana, foi uma da professoras mais legais que já tive. Lecionou para minha turma na primeira e segunda séries.
Então recordei, era o perfume que ela usava. 2月25日 Daquela foto na paredeNão era ninguém especial. Eram apenas pessoas com as quais passaram algumas horas num fim de semana longe de casa. Mas a imagem em questão o fazia lembrar daquela viagem com mais vividez que qualquer outra foto. Talvez uma pessoa comum não escolhesse fotos assim para enfeitar as paredes de casa, mas ele não era uma pessoa comum. Escondia verdades inconfessáveis e sentimentos sordidamente puros. Puros demais para trazer a tona. Por isso, permanecia na superfície, por medo de ir fundo demais. Por um temor paranóico de não conseguir voltar. Preferia olhar todos os dias para vidas que não fossem a sua. Lembrar de amores, que não eram os seus. Embora as paredes ainda estivessem tingidas das mesmas velhas cores, ele preferia fingir que tudo não passara de sonho. Sonhos, afinal, não deixam fotos. Apenas lembranças agridoces. 2月3日 Is the end of the world......As we know it.
Alguém dúvida? Então pega essa:
Diário do Pará, 3/2/9
"Banda Calypso é indicada ao Nobel da Paz
BELÉM (PA) - Joelma e Chimbinha vão dominar o mundo. A banda Calypso acaba de ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz “por seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte”, segundo a nota oficial do Comitê da Paz.
1月13日 Semiótica- Por enquanto, a parte mais cara da casa até agora foi a pintura. - Ah é? De que cor é sua casa? - A parte de dentro é pérola. Por fora eu fiz um tipo de grafiato cor areia. - Então...Sua casa é bege? 12月5日 Causo mais engraçado dos útilmos temposAcabei de ler no blog do Lúcio Ribeiro, sobre a fila de venda de ingressos para o Radiohead...
"Passei na madrugada desta sexta, às 4h30, na fila do Pacaembu. Nada de anormal. Apenas umas 150 pessoas esperando dar 9 da manhã para as bilheterias abrirem. Tinha até uma barraca postada num lugar razoável na fila. Depois soube que as entradas começaram a ser vendidas às 8h, a menina dona da barraca dormiu dentro e a fila andou deixando ela lá. Quando não tinha mais fila, tipo 9h30, alguém bacana resolveu acordar a garota, que comprou seu ingresso, desarmou a tenda e foi embora feliz."
HAHAHAHAHAHAHAH QUE BANANA! Essa literalmente dormiu no ponto 10月15日 Álcool: no mínimo, tão importante quanto seu gravadorTexto de Jancee Dunn (retirado do livro Chega de falar de mim, da Panda Books)
Se o entrevistado for um sujeito relutante, faça tudo que puder para que um drinque chegue às mãos dele. O álcool solta a língua e distorce a noção de tempo, portanto, a hora que lhe concederam passa sem que percebam que ela se multiplicou por seis. De preferência, você deve permanecer sóbrio, ao passo que seu entrevistado deve ficar bêbado. Assim, à medida que a noite avançar e seu novo amigo abobalhado começar a cuspir em você ao falar, mude discretamente para um coquetel de frutas. Lá pela meia-noite, arme uma grande cena de “estou tonta” e vá cambaleando ao banheiro, onde você deve se fechar num sanitário e tomar notas tranqüilamente. Apenas uma vez me desviei dessa regra, durante uma parada no festival Lollapalooza em Atlanta. A lista naquele ano estava particularmente boa: Beastie Boys, Breeders, L7, A Tribe Called Quest, Smashing Pumpkins, George Clinton e P-Funk All-Stars. Peguei um vôo para lá a fim de entrevistar Kim Deal, do Breeders, para a edição especial “Mulheres no Rock” da Rolling Stone. Deveria fazer-lhe a embaraçosa pergunta dirigida a todas as participantes: Como o papel da mulher no rock vem mudando nas últimas quatro décadas? Você se sente afetada pelas letras misóginas que andam rolando no rock e no hip hop? Encontrei-a nos bastidores do show. Ela estava sentada num sofá velho, com uma camiseta enorme e jeans manchados, fazendo piadas com membros da equipe e outros músicos. Como ex-Pixie e atual membro do Breeders, Deal era uma de minhas heroínas. Adorava o som suave de sua voz doce e rouca, e o jeito como sorria no palco ao tocar o baixo, como se estivesse se divertindo muito. Entretanto, apesar de ser extremamente gentil, Deal não estava a fim de falar de si própria como uma vítima da sociedade patriarcal. – Então… – comecei, nervosa, remexendo meu bloco de notas. – Sei que não são as perguntas mais interessantes do mundo, mas talvez a gente consiga achar um modo de se divertir com elas. Silêncio. – Você acha que a indústria fonográfica tem telhado de vidro, como dizem por aí? – comecei. Ela suspirou. Todo mundo ao redor riu. Tentei outra pergunta. – O fato de ser mulher teve qual efeito em sua música? Ela revirou os olhos. – Será que tenho de responder mesmo a esse tipo de coisa? Considerei. – Acho que não – respondi. – Que bom – ela disse, pegando uma garrafa de vodca e dando um grande gole. – Vamos ver os Black Crowes. Estão tocando no palco dois. Ela me ofereceu a garrafa e eu bebi, compreendendo que poderia falar com ela mais tarde, quando estivesse mais relaxada. Depois de mais uns goles longos, ela, num salto, pediu que a seguisse. Tivemos de mergulhar na multidão no caminho para o palco menor. Enquanto passávamos com dificuldade, um grupo de garotas góticas nos rodeou, pedindo autógrafos. – Não sou ninguém – disse a elas. – Minha assinatura não vale nada. Elas me olharam com desconfiança. Depois, suspeitando que eu estivesse apenas sendo modesta, me empurraram canetas e papéis com ansiedade ainda maior. Sentindo-me uma boba, dei os autógrafos, enquanto Deal ria. Então ela perdeu a paciência. – Vamos! – gritou, me arrastando de volta para a multidão. Os Black Crowes estavam afinando os instrumentos. Mãos se sobrepuseram à massa de fãs, oferecendo-nos uns baseados. Maconha sempre me deixava neurótica, cansada e com fome (três coisas que eram meu estado natural, na verdade), mas, é claro, dei uns pegas. Uma relações-públicas correu até nós com cervejas durante o show, magicamente cheias, apesar do tumulto, algo que me lembrava uma fantasia de Alice no país das maravilhas. Baseados! Cerveja! Crowes! Vodca! Baseados! Cerveja! Crowes! Opa, estou meio zonza. Não, estou bem. Só vou me agachar aqui um pouquinho. – Vamos ver os Beastie Boys – gritou Deal no meio da multidão quando a apresentação do Crowes acabou. Ela correu pelo meio dos fãs como uma louca. Parecia bem relaxada. Era hora de atacar. Parei no meio de um gramado perto dos palcos e gritei para que parasse. – Sério – implorei, sacando o gravador –, você não poderia responder só a umas perguntinhas? Só algumas. Quem foram seus heróis na música? – Depois! – ela gritou. – Agora! – respondi, sem a menor convicção. O gramado girava perigosamente. Uma tempestade perigosa se aproximava, eu percebia. Melhor era ir para o porto! – Não! – ela gritou, rindo como uma louca. De repente, o chão estava se mexendo e nós duas lutávamos no gramado do Lakewood Amphitheater. O que tornou a cena ainda mais surreal foi que, enquanto estávamos rolando na grama, um cara negro, alto, que usava fraldas, membro do P-Funk All-Stars, passou por nós sem sequer prestar atenção. – Você vai responder às minhas perguntas! – gritei, ofegante. Não tinha autoridade nenhuma no que dizia. Implorei, ameacei, fiz piadas, mas ela não estava nem aí. Em algum momento eu teria de desistir. Então, quando as notas distantes da canção “Sure shot” dos Beastie começaram, ela se livrou de mim e saiu correndo para o palco onde eles tocavam, gritando para que eu a seguisse. Todas as portas se abriram para nós ao chegarmos aos bastidores e passamos para o lado do palco, com os Beastie Boys a alguns passos de nós. Ela me empurrou para perto das maiores caixas acústicas que eu já tinha visto na vida, e dançamos durante toda a eletrizante apresentação, para o deleite de boa parte do público, que tinha uma boa visão dos nossos pulos e contorções sem ritmo. Aquela foi a melhor entrevista que já fiz, me alegro em dizer. De volta a Nova York, minha editora Karen estudou meus manuscritos com a testa franzida. – Esta é a pior entrevista que já fez – ela falou. – O que aconteceu? Pra mim, parece que ela só respondeu a algumas perguntas básicas. E o resto? – Expliquei toda a saga pela qual havia passado, convenientemente deixando de lado a parte em que agi como um peão de obras gastando o salário todo em apenas uma noite. – Lamento, mas vamos ter de rejeitar isso – disse-me Karen, balançando a cabeça. – Não tem nada aqui. Ainda assim, Kim Deal era uma Mulher Que Fazia Rock. Ela só preferiu me mostrar a dize-lo.
10月3日 Ode aos 90A década de 90 foi uma época maravilhosa. O mundo estava mudando profundamente e a música era totalmente excitante. Não como nas viagens de ácido dos anos 60, nem como as viagens de tudo quanto era coisa dos anos 70. Era mais uma grande bebedeira de vinho barato e estava todo mundo louco. Foi uma época em que as pessoas começaram a deixar seus coletes de jeans e pochetes no armário e se tocaram de que, afinal, vestir uma calça rasgada podia não ser tão ruim assim. As garotas usavam menos maquiagens e as guitarras, mais distorção. Eram as músicas de três minutos mais intensas que eu já havia escutado. Foi uma época maravilhosa.
Lembro das blusas de lã e camisas velhas. Lembro dos ensaios da banda da minha irmã na garagem de casa. Era um grupo cover de Metallica, só com garotas. A molecada da rua ficava do lado de fora do portão curtindo um som e eu do lado de dentro, bancando a groupie mirim. Na verdade, eu era mais o chaveiro da banda. Lembro de quebrar a cama da Isabel, pulando feito loucas enquanto tocava Suck my Kiss do Red Hot no rádio. Nos anos 90 tinha mobilete, walk machine, walkman, VHS e videocassete de 4 cabeças, mas também teve CD, DVD e internet. Teve Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Stone Temple Pilots, Alice in Chains, L7, Red Hot, Breeders e mais uma porção de bandas com gente maltrapilha que sacudia o cabelo.
Tinha desfiar barra de calça com garfo e secar a cabeleira ao contrário, pra ficar um pouco mais bagunçado. Tinha gravar fita cassete de presente e cortar a última música no meio, porque nunca cabia certinho. Tinha Single, Filadélfia, Meu primeiro amor, Edward Mãos de Tesoura, caçadores de aventuras, Trainspotting, Forrest Gump, Dança com Lobos, Seven e Pulp Fiction, que por um acaso, é uma das memórias mais “fortes” da minha infância.
"Ai, meu Deus, que saudade da Amélia.Aquilo sim é que era mulher".
Mas não se pode viver do que já passou, não é? Não é?
Já falei que ganhei um lindo colete xadrez, feito de camisa rasgada?
9月15日 Ele não tem BruxismoGosto do jeito que as mechas de cabelo se espalham quando ele deita a cabeça no travesseiro e do formato de sua boca, do jeito que ela fica quando pronuncia sons fechados, de U e O. Gosto quando ele me abraça, passando os braços por debaixo dos meus e me apertando com carinho contra seu peito. Adoro quando faz piadas e dá risada de si mesmo, colocando a língua entre os dentes semi-cerrados, como se estivesse sem graça. Fico encantada pela textura suave de sua pele e pela maneira que seu corpo se encaixa no meu. Gosto de adormecer a seu lado, mas gosto, sobretudo, do som que faz quando dorme. Ele não range os dentes e sinto que, talvez por isso, possa dormir segura. 9月10日 Medo de não ter medoÉ difícil pensar que debaixo de uma carapaça tão dura, viva uma coisa gosmenta e medrosa. Mas é exatamente assim que a natureza é.
Isso também não quer dizer que a coisa seja covarde. Pelo contrário, esse medo de sei-lá-o-quê nasce exatamente da ausência de medos mais simples. Da falta de medo da morte, por exemplo. Da inexistência completa do medo da solidão, da falta de vergonha de falar e de ouvir. Da falta destes, nasce o medo de amar, o medo de viver.
Porque a felicidade é tão assustadora?
9月8日 O SeboPela vitrine já se podia notar que o lugar era bem interessante, mas só depois de entrar pude ter uma noção do quanto. Eram pilhas e pilhas de livros que iam até o teto. Não havia nenhuma estante. Apenas livros.
Avistei no alto de uma escada um rapaz de aparência jovem, o que não é muito comum neste tipo de loja. Apesar da barba vasta, não parecia ter mais que 25 anos. Ele empilhava calmamente alguns livros que carregava nos braços quando me mirou com o canto do olho e disse suavemente, “olá, posso ajudar?”.
- Oi, você teria o livro Na natureza Selvagem?
- Hum, aquele do cara que saí por aí?
- Esse mesmo, do cara que saí por aí.
- Qual é mesmo o nome do autor?
- Puxa, esqueci. Ron, Jon...algo assim.
- Bem, eu não o tenho. É meio difícil de encontrar. Tem um filme sobre ele por aí não é?
- É sim, por isso mesmo vim a procura dele. Vi o filme e achei que seria um bom livro...
- É, verdade...Deve ser, ouvi falar.
- Obrigada.
E com a mesma suavidade ele voltou aos livros, empilhando-os uma a um, como se eu tivesse sido apenas uma brisa leve a passar pelo seu trigal. 8月28日 Classical gasUma vez eu ouví essa música na trilha sonora de algum filme, lembro que se pans era um filme idiota, mas esse riff...Eu nunca mais esqueci. Daí hoje, ouvindo a accuradio, descobri sem querer que é de um cara chamado Mason Willians e que a versão que eu conheço foi uma regravação do Eric Clapton! DEMEEENCIA!
Demais, arrepiem-se!
8月25日 It's not the way you smile that touched my heartSe fosse há pouco tempo, eu teria me debulhado em lágrimas por causa dessa música. Hoje...Hoje eu só acho que é uma música fodida! Do caralho mesmo!
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